Notícias – Edição 5 2017-08-25T13:04:23+00:00

Project Description

NOTÍCIAS

Patrícia Brighenti é jornalista e tradutora juramentada.

Enfim!

A Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos Estados Unidos decidiu reduzir o ciclo de liquidação de ações e títulos de três para dois dias úteis, atendendo à antiga demanda da própria indústria. A consequência disso é a redução dos riscos de crédito e de mercado, assim como do risco de contraparte. A tecnologia moderna permite aos investidores realizar transações em milissegundos. Desde 1993, todavia, a regra da SEC estabelecia o horizonte de tempo de três dias úteis entre fechamento da ordem e movimentação de dinheiro/troca de titularidade. A medida, que também valerá para fundos de investimento em índice de mercado (ETFs), certos fundos mútuos, títulos municipais e sociedades de responsabilidade limitada negociados em bolsa, será implantada no dia 5 de setembro deste ano.

E tem mais: alguns participantes acreditam que o ciclo deve ser ainda encurtado para um dia.

(Reuters, 22/3/2016)

Nova cara

O Credit Suisse apontou em relatório que os operadores de alta frequência (HFTs) tiveram enorme impacto sobre os negócios com valores mobiliários nos Estados Unidos nos últimos anos, praticamente dobrando o volume transacionado até 2009 e modificando a própria imagem do mercado. O volume operado por gestores de recursos e investidores, tanto ativos como passivos, permaneceu consistente ao longo desse período (cerca de 3 a 4 bilhões de ações movimentados diariamente), mas os volumes nos mercados norte-americanos são praticamente o dobro do que eram antes de 2009, graças às estratégias dos HFTs. Com base em dados levantados pelo grupo Tabb, o Credit Suisse observou que os HFTs responderam por pouco menos da metade de todas as operações com ações em 2016 – praticamente o mesmo percentual dos três anos anteriores, porém mais que o dobro da participação de mercado por eles detida em 2006, quando concentraram pouco mais de 20% dos negócios, embora bem menor que o pico de 60%, atingido em 2009. Outro resultado positivo da presença dos HFTs foi a melhor eficiência de preços, notadamente

para ETFs, apesar da crítica dos que consideram que a maior parte do incremento de volume é desnecessária, por tratar-se de vaivém de ações sem a intenção efetiva de assumir posições ou simplesmente para levar vantagem sobre investidores mais lentos na outra ponta do mercado.

E tem mais I: a despeito de a atividade dos HFTs também proporcionar menores gaps de preço, esse benefício se aplica quase que exclusivamente às ações mais líquidas, deixando para trás os papéis de menor liquidez, cujos preços chegam a apresentar gaps de 1% – oito vezes maiores do que aqueles verificados em 2009 e tão expressivos quanto os das ações de grande capitalização.

E tem mais II: segundo o relatório, as corretoras especializadas em operações de alta frequência poderão enfrentar novas regulamentações, tributação, redutores de velocidade para ordens e exigências de registro para operações próprias de HFT, mas a mudança causada no mercado veio para ficar.

(MarketWatch, 17/3/2016)

O futuro chegou

A empresa de pesquisa e consultoria Opimas publicou relatório em que prevê a substituição de cerca de 230 mil postos de trabalho nos mercados de capitais globais até 2025, na esteira da implementação de inteligência artificial. Com corte estimado de 90 mil trabalhadores, as atividades de gestão de ativos são as que mais sofrerão, pois a nova tecnologia proporcionará aos investidores estratégias mais baratas e automatizadas. Diante da natureza repetitiva de muitas das tarefas desempenhadas pelas empresas prestadoras de serviços nos mercados de valores mobiliários, estas são as candidatas ideias para a redução de pessoal causada pela introdução das aplicações de IA. O gasto com essa tecnologia nos mercados de capitais, que deverá atingir US$1,5 bilhão em 2017, poderá somar US$2,8 bilhões até 2021, resultando em melhor eficiência operacional e queda significativa de custos. A tecnologia de IA, em especial análise cognitiva, aprendizagem de máquina e automatização robótica de processos, tem o potencial de mudar a indústria financeira, plantando as sementes de novo modelo de negócios.

(The Trade, 7/3/2016)

Nem tudo pode ser ETF

Depois de ficar mais de três anos sob análise da Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos EUA, esta decidiu não autorizar o fundo de investimento em índice baseado em bitcoin proposto pelos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss. Para a SEC, o ETF de
bitcoin e sua listagem em bolsa demandariam maiores salvaguardas e supervisão. Como o bitcoin é negociado em mercados não regulamentados, a xerife estaria impedida de firmar acordos de supervisão compartilhada para evitar manipulações. O produto teria sido importante catalisador de interesse, por abrir as portas da moeda virtual aos investidores institucionais, a maioria dos quais só pode investir em valores mobiliários registrados, o que o bitcoin não é, mas o ETF preencheria o requisito. Além disso, os investidores de varejo poderiam ter exposição ao bitcoin diretamente em suas contas de corretagem, em vez de serem obrigados a estabelecer contas separadas com uma bolsa de bitcoin.

E tem mais I: os irmãos Winklevoss, que ficaram famosos no episódio de disputa com Mark Zuckerberg a respeito da origem do Facebook, prometem manter seu empenho na SEC para tornar realidade seu projeto para o bitcoin.

E tem mais II: a moeda virtual é utilizada por consumidores ao redor do mundo para proteger ativos contra inflação e convulsões políticas nos países de origem. Em 2016, superou o desempenho de todos os principais produtos negociados no mercado, como câmbio, índices de ações e commodities.

E tem mais III: dois outros ETFs de
bitcoin também foram submetidos à análise regulatória (o primeiro em meados de 2016 – o Bitcoin Investment Trust – e o segundo em janeiro de 2017 – o SolidX Bitcoin Trust, vetado pela SEC em 28 de março). Como as justificativas da SEC se fundamentaram na própria estrutura de mercado do bitcoin, e não em algum detalhe específico da elaboração dos produtos, as perspectivas de autorização para outros ETFs do gênero ficaram mais distantes.

(Bloomberg e ETF.com, 10/3, e Reuters, 28/3/2016)

Brilhando

Em prol de sua estratégia de crescimento global, a Bolsa Europeia de Energia (EEX), que faz parte da Bolsa Alemã (DB), vai adquirir 100% das ações da congênere norte-americana Nodal. Os mercados futuros desta, lançados em 2009, têm sede no estado da Virgínia e negociam mil contratos de energia e gás, com entrega em cem locais diferentes, e um contrato de gás com entrega no principal ponto de entrega do país para o produto, o Henry Hub. A operação deverá ser finalizada no segundo trimestre, apesar de ainda estarem pendentes as aprovações regulatórias necessárias. A maior parte dos negócios da Nodal resulta de operações com futuros de eletricidade, cujo volume quase dobrou em 2016, depois de introduzir câmara de compensação própria, em outubro de 2015, e não mais utilizar os serviços da LCH.

E tem mais: esta não é a primeira iniciativa do gênero da EEX: em abril de 2016, tornou-se única controladora da Bolsa Cleartrade (CLTX), localizada em Cingapura.

(Reuters, 3/3/2016)

Caminhos possíveis

Com vistas a ampliar a cooperação econômica existente entre os dois países e criar novas oportunidades de negócios para seus participantes, mediante o intercâmbio de produtos e de informações relacionadas com listagem, negociação, central depositária, clearing e liquidação, a Bolsa de Ativos de Nairobi e a Bolsa de Valores de Qatar assinaram protocolo de intenções. O mesmo fizeram a Bolsa de Valores Saudita e o grupo de bolsas japonesas (JPX), para expandir o relacionamento que mantêm, apoiando o desenvolvimento dos respectivos mercados de capitais. Idem para Nasdaq Dubai e Bolsa da Tunísia, com o objetivo de explorar colaboração, inclusive iniciativas de emissão e listagem nos dois mercados, bem como meios de promover produtos e soluções dos mercados de capitais islâmicos, com a interligação potencial entre as centrais depositárias das duas jurisdições.

(Mondo Visione, 9, 13 e 14/3/2016)

Na esteira do Brexit

A Bolsa de Valores de Londres (LSE) divulgou planos de lançar o Mercado Internacional de Ativos (ISM), voltado à emissão primária de dívida, que deverá competir com o Mercado Global, da Irlanda, e o Euro MTF, de Luxemburgo. Igualmente representará alternativa para emissores de mercados emergentes que não possuam ações listadas na União Europeia para poder obter financiamento via emissão de dívida. O ISM funcionará como sistema de negociação multilateral (MTF), separado da bolsa e com normas próprias para participantes, negociação, clearing e listagem.

E tem mais: a iniciativa foi anunciada menos de um mês depois de o regulador dos mercados do Reino Unido, a Autoridade de Conduta Financeira (FCA), revelar interesse pela introdução de MTF para títulos corporativos com sede em Londres, como parte de projeto maior visando ao aperfeiçoamento dos mercados primários locais.

(Finance Magnates, 9/3/2016)

De flanco

Passados mais de quatro anos da tentativa frustrada de adquirir a Bolsa de Metais de Londres (LME), a Bolsa Intercontinental (ICE), de Nova Iorque, avalia a possibilidade de estabelecer uma bolsa de metais em Londres. Fundada 140 anos atrás, a LME, que utiliza tanto sistema eletrônico quanto de viva voz e opera rede de 600 unidades depositárias, domina a negociação mundial com metais, não obstante sua participação nesse mercado ter declinado de 87%, em 2008, para 71%. A explicação para essa diminuição da fatia da LME no mercado global de metais pode estar na elevação, em 31%, do valor dos emolumentos cobrados pela bolsa desde o início de 2015, o que levou consumidores e produtores a procurar alternativas no mercado de balcão. Já o motivo para essa elevação seria o incremento de resultados da holding HKEx (entidade que reúne as bolsas e as atividades de clearing de Hong Kong), a qual pagou US$2,2 bilhões pela LME em 2012, em processo de concorrência que contou com a participação da ICE.

(Reuters, 1/3/2016)

Menos é mais

A empresa de auditoria   PricewaterhouseCoopers (PwC) e a corretora nova-iorquina MF Global Holdings, que entrou em colapso em 2011, fecharam acordo para pôr fim ao julgamento da ação de negligência, estipulada em US$3 bilhões, que foi movida pela corretora contra a PwC. No início das audiências, no dia 7 de março passado, a ré, PwC, culpou a autora, MF Global Holdings, pela própria quebra, bem como o então CEO, Jon Corzine. Para o administrador da massa falida, a PwC teria sido negligente na prestação de assessoria contábil, envolvendo a carteira de US$6,3 bilhões investidos pela corretora em dívida soberana europeia e ativos com deferimento de impostos. A PwC teria tratado indevidamente tais operações e as questões fiscais correspondentes nas demonstrações financeiras da MF Global.

E tem mais I: o julgamento, com previsão de duração de cinco semanas, representava a última etapa do litígio que buscava recuperar recursos para os credores da corretora.

E tem mais II: segundo as partes, os termos do acordo são confidenciais, mas satisfatórios para ambas.

E tem mais III: em abril de 2015, a PwC fechou acordo em separado com os investidores da MF Global, no valor de US$65 milhões, embora negando que qualquer erro tenha sido cometido de sua parte.

E tem mais IV: Jon Corzine não foi acusado de má conduta intencional, mas, em janeiro deste ano, pagou multa de US$ 5 milhões à Comissão das Operações no Mercado Futuro de Commodities (CFTC), aceitando a proibição de jamais voltar a operar na indústria de futuros, o que pôs fim ao processo que visava culpá-lo por condução inadequada da MF Global.

(Bloomberg e Reuters, 7/3, e Finance Magnates, 23/3/2016)

Outros ventos

De acordo com uma das maiores autoridades monetárias do planeta, o Banco de Liquidações Internacionais (BIS), a política superou os bancos centrais como os principais motores do comportamento dos investidores, descortinando uma paisagem financeira muito mais diversa. O BIS aproveitou sua última análise trimestral para decretar o fim do domínio do efeito manada sobre os investidores, que passaram os últimos anos reagindo a cada declaração feita pelos principais bancos centrais mundiais. Conforme o BIS, os negócios realizados pelos investidores com base em sua tolerância ao risco e impulsionados, a partir da crise financeira global, pelas expectativas de mudanças nas políticas praticadas pelo Banco Central Europeu e pelo Banco da Reserva Federal (FED) dos Estados Unidos têm-se tornado menos relevantes. Os investidores, cada vez mais prudentes, vêm buscando ampliar seus investimentos entre classes de ativos, setores econômicos e regiões geográficas, relatou o BIS. Desde a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, por exemplo, as ações de indústrias como defesa e construção registraram ganhos expressivos. No entanto, os bancos centrais continuarão a desempenhar papel importante na condução das tendências de mercado. Basta considerar que qualquer expectativa de elevação nas taxas de juro dos Estados Unidos pelo FED causa flutuações significativas nas bolsas de valores.

(FT.com, 6/3/2016)

Outros voos

A Cboe Holdings concluiu a operação de aquisição da Bats Global Markets, avaliada em US$3,4 bilhões, envolvendo dinheiro e ações. Juntas, as duas empresas possuem capitalização de mercado estimada em US$10 bilhões. A Bats, mercado eletrônico inaugurado em junho de 2005 e sediado em Kansas, transformou-se na segunda maior operadora de bolsas nos Estados Unidos, com presença europeia significativa. Já a Bolsa de Opções de Chicago (CBOE), que pertence à Cboe Holdings e que foi criada a partir de cisão da Bolsa de Comércio de Chicago (CBOT) em 1973 – a qual, por sua vez, fundiu-se com a Bolsa Mercantil de Chicago em 2007 –, tornou-se a maior bolsa de opções norte-americana, utilizando modelo híbrido que combina pregão eletrônico e de viva voz. Em vez de providenciar a atualização da

tecnologia que emprega no momento, a Cboe adotará o sistema da Bats, o que deverá proporcionar-lhe economia de US$50 milhões ou mais nos próximos três anos. Adicionalmente, introduzirá novos produtos e aproveitará a rede europeia da Bats para expandir seu alcance e competir pelos clientes institucionais de bolsas estrangeiras.

E tem mais: assim que a operação entre Cboe Holdings e Bats foi anunciada, a Bolsa Alemã vendeu a participação que ainda detinha na Bats, com o propósito de incrementar seus resultados no primeiro trimestre de 2017. Em outubro de 2016, vendera um terço de sua participação na mesma bolsa por US$86 milhões.

(Chicago Tribune, 1/3, e FT.com, 2/3/2016)