Notícias – Número 7 2017-12-19T19:25:15+00:00

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NOTÍCIAS

Patrícia Brighenti é jornalista e tradutora juramentada.

Fora da curva

Os dealers do mercado de renda fixa já contabilizam gastos de mais de US$20 bilhões por ano em tecnologia regulatória (RegTech), conforme pesquisa conduzida pela Greenwich Associates. O relatório da assessoria refletiu o quanto os bancos têm utilizado a tecnologia, nos Estados Unidos e na Europa, para cumprir as exigências de regulamentos iminentes, como MiFID II, que os está forçando a atualizar sistemas legados. O lado positivo é que a nova tecnologia deverá não somente desenvolver novas ferramentas para as verificações de conformidade, como também aperfeiçoar aquelas disponíveis aos traders. A pesquisa – para a qual foram entrevistados 46 operadores da ponta de venda do mercado – igualmente revelou que 94% deles agora dedicam mais tempo a discussões com o pessoal de compliance, com os chefes de mesa não mantendo nenhum contato com clientes.

E tem mais: outra curiosidade é que os traders mais experientes se têm beneficiado muito mais dos novos instrumentos tecnológicos do que os mais jovens, como seria de esperar.

(The Trade, 30/11/2017)

Monitoração obrigatória

Segundo o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), o uso crescente de inteligência artificial pelo setor bancário pode causar riscos e algumas surpresas inesperadas à estabilidade do sistema financeiro, a menos que procedimentos de teste e treinamento sejam colocados em prática. Os bancos, as seguradoras e os gestores de ativos correm para substituir o trabalho humano pelo de sistemas computadorizados, com robôs “inteligentes” processando dados, automatizando a inter-relação com clientes e detectando fraudes. Mas essa corrida pode amplificar choques financeiros e ser utilizada por cibercriminosos para manipular os preços de mercado. Embora reconhecendo que o uso de IA seja bastante promissor, podendo tornar o sistema financeiro mais eficiente, o FSB, que representa os bancos centrais e os reguladores dos países do G20, instou a indústria a monitorar de perto sua aplicação, diante da quantidade de riscos passíveis de se manifestar. Por exemplo, as instituições podem tornar-se dependentes das gigantes de tecnologia que produzem robôs, sujeitando-as aos riscos gerados por fornecedores de terceiros que não se submetem à supervisão dos reguladores financeiros. Essas questões de competitividade podem traduzir-se em riscos para a estabilidade financeira a partir do momento em que tais empresas tenham participação expressiva em segmentos de mercado específicos. O relatório de 45 páginas do FSB também sugere a contratação de staff especializado para o monitoramento dos modelos, cuja complexidade precisa ser compreendida para que tanto as empresas quantos os supervisores possam prever como as atividades comandadas por tais modelos afetarão os mercados.

(The Telegraph, 1/11/2017)

No comando

A EEX, principal mercado de energia europeu, adquiriu os 12,3% que lhe faltavam de participação na Powernext, sediada na França, das empresas 3GRT e EDF, que continuarão a fazer parte do conselho da bolsa francesa. Com isso, a EEX tornou-se a única proprietária da Powernext, que opera as atividades de gás natural do Grupo EEX em toda a Europa por intermédio da plataforma Pegas.

(Mondo Visione, 16/11/2017)

Acirrada

Desde o mês de julho passado, a negociação com futuros de petróleo West Texas Intermediate (WTI) nos Estados Unidos tem superado a do Brent, à medida que os exploradores de xisto se aproveitam de preços mais elevados para vender sua produção futura. Os preços do Brent representam o benchmark internacional para o petróleo bruto. As posições em aberto no WTI cresceram mais de 25% em relação ao total observado no final de junho deste ano, para 2,6 milhões de contratos. Por outro lado, o volume de contratos em aberto no Brent vem andando de lado nos últimos meses, raramente superando 2,5 milhões. Entre 2014 e 2016, os preços do barril despencaram de US$100 para menos de US$50, com a maior produção de xisto levando à sobreoferta de petróleo nos Estados Unidos. Os países membros da Opep e a Rússia também registraram volumes recordes. Forçados a adaptar-se a preços mais baixos, os produtores de xisto cortaram agressivamente os custos e melhoraram a eficiência de seus poços – e, com os preços do WTI mais de um terço acima daqueles praticados em junho, correram para travar seus lucros, vendendo sua produção a futuro. Na outra ponta, os hedge funds incrementaram expressivamente suas posições compradas, na expectativa de alta para os preços da commodity.

E tem mais: em desafio ao papel tradicional desempenhado pelos bancos no passado, a BP uniu-se à rival Shell para ajudar o México a implementar o programa de hedge contra queda de preços de suas exportações de petróleo para 2018. A um custo de cerca de US$1,26 bilhão, a operação faz parte dos esforços do governo mexicano para estabilizar seu orçamento. Bancos como Goldman Sachs e JPMorgan dominaram o programa mexicano – o maior da indústria – durante anos, mas seu papel acabou sendo reduzido devido à regulamentação mais restritiva para operações de commodities pelas instituições financeiras, inclusive com a proibição quase total de realização de transações proprietárias.

(Reuters, 7 e 8/11/2017)

Sonoridade

O principal indicador do mercado acionário russo que é cotado em rublos, conhecido como Micex, foi rebatizado de índice “Moex Russia”. Seu irmão gêmeo, que é denominado em dólares norte-americanos, manterá o nome RTS. A modificação de denominação ocorre na esteira das alterações já implementadas na metodologia de cálculo dos índices da Bolsa de Moscou, com vistas em incrementar os requisitos de liquidez para as ações componentes e utilizar quantidade flutuante de valores mobiliários. A primeira revisão sob a nova metodologia será efetuada em 22 de dezembro deste ano. Atualmente, o número de ações componentes de ambos os índices está fixado em 50.

(Mondo Visione, 27/11/2017)

Premiada

A Nasdaq celebrou novo contrato de prestação de serviços de tecnologia de negociação com a Bolsa de Valores de Bermuda, considerada importante mercado de valores mobiliários para a atração de capital internacional e doméstico. Esses serviços são realizados por meio da Estrutura Financeira Nasdaq, que proporciona escalabilidade de ativos e alta capacidade de execução de ordens. Essa mesma plataforma, inaugurada em 2016 e que engloba sistemas de negociação, compensação, liquidação e gestão de risco para multiativos em tempo real, venceu o prêmio concedido pela Risk.net neste ano à “melhor solução de apoio às atividades clearing de contraparte central”.

(Mondo Visione, 1 e 29/11/2017)

Alternativas

Visando consolidar-se para acessar novos mercados e impulsionar seu negócio de ações, fundos de índice transacionados em bolsa e títulos, a Euronext – bolsa pan-europeia que opera unidades em Paris, Amsterdã, Bruxelas, Lisboa e Londres – adquiriu a Bolsa de Valores Irlandesa, sediada em Dublin, por €137 milhões em dinheiro. Adicionalmente a sua posição como um dos principais centros globais para listagem de companhias abertas, a Euronext foi atraída pela permanência da Irlanda no bloco do euro, à medida que Londres se prepara para deixá-lo. Com 224 anos de existência, a bolsa de Dublin, por sua vez, já buscava um parceiro com o qual unir forças, com o intuito de posicionar-se para as oportunidades que poderão surgir pós-Brexit. A operação deverá ser encerrada no primeiro trimestre de 2018.

E tem mais: a Euronext renovou o acordo que mantinha com a LCH SA por período adicional de dez anos, em prol de continuidade na prestação dos atuais serviços de clearing para derivativos financeiros e de commodities. Para tanto, trocou sua participação de 2,3% no Grupo LCH por outra de 11,1% na LCH SA, ainda sujeita à análise regulatória, em que deverá reconhecer ganho líquido de capital de €24 milhões.

(Finextra, 1/11, e Finance Magnates, 29/11/2017)

Renda extra

A Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos Estados Unidos divulgou que concedeu prêmios de mais de US$8 milhões a dois delatores cujas informações e colaboração ajudaram-na a entrar com processos de execução bem-sucedidos. O primeiro denunciante alertou a equipe da SEC para atividade ilícita que se tornaria foco de investigação e, na sequência, base para processo interposto pela agência. O segundo delator forneceu importantes informações adicionais e cooperação durante investigação que proporcionou à SEC economia substancial de tempo e de recursos. O total de prêmios concedidos aos 49 delatores que procuraram a agência desde o início do programa, em 2012, atingiu US$175 milhões. Os valores são pagos por meio de um fundo de proteção ao investidor criado pelo Congresso local e inteiramente financiado pelos montantes recebidos pela SEC como resultado das sanções impostas aos infratores da lei de commodities. Para ser elegível a prêmio de delação, o interessado, cujas identidade e confidencialidade permanecem sob sigilo, deve prestar voluntariamente informações originais, oportunas e críveis que levem a ações de execução exitosas. Quando as penalidades monetárias ultrapassam US$1 milhão, os prêmios podem variar de 10% a 30% do valor arrecadado.

E tem mais: até o momento, os processos de execução fundamentados em delação premiada já resultaram em mais de US$1 bilhão em sanções financeiras contra fraudadores, além de mais de US$671 milhões na renúncia de ganhos obtidos de maneira ilícita, montante que, em sua maioria, já foi ou está sendo devolvido aos investidores prejudicados.

(Mondo Visione, 30/11/2017)

Não compensa

Considerado o “pioneiro” da pirataria cibernética moderna, o hacker russo Roman Seleznev, de 33 anos – de codinome Track2 –, foi sentenciado a 14 anos de prisão pelo crime de roubo de identidades na internet, avaliado em mais US$50 milhões. Essa sentença somou-se aos 27 anos da pena de prisão contra ele decretada em abril deste ano por hackear terminais de pontos de venda e vender números de cartões de crédito ao submundo do crime, em esquema que gerou quase US$170 milhões em fraudes. Ambas as sentenças serão executadas simultaneamente. O criminoso declarou-se culpado das duas acusações em setembro passado. Antes de ser preso em 2011 nas Ilhas Maldivas, onde despendeu US$20 mil em hospedagem em um resort, o hacker levava vida extravagante, com propriedades à beira-mar em Bali, na Indonésia, e em sua terra natal, Vladivostok, posando para fotografias ao lado de carros esportivos e de pacotes de dinheiro. O site automatizado que desenvolvera permitia que seus membros fizessem login e adquirissem dados de contas de cartões de crédito roubados. Em uma única operação, em novembro de 2008, que levou apenas 12 horas para ser executada, Seleznev hackeou uma empresa de processamento de pagamentos nos Estados Unidos, roubou 45,5 milhões de números de cartões de débito e coordenou o saque fraudulento, no total de US$9,4 milhões, de 2,1 mil caixas eletrônicos espalhados em 280 cidades ao redor do mundo.

(Cybercoop, 30/11/2017)

Outro tipo de acordo

Oito dos maiores bancos mundiais – dentre os quais UBS, Royal Bank of Scotland, JPMorgan Chase, Citigroup, Barclays e HSBC – preparam-se para negociar acordos financeiros com a Comissão Europeia que poderão custar-lhes bilhões de euros, mas que porão fim à investigação, aberta quatro anos atrás, a respeito de alegações de que formaram cartel para manipular o mercado global de câmbio, que movimenta cerca de US$5,3 trilhões. A suspeita dessa atuação em cartel representa desafio para os investigadores, em decorrência da complexidade da suposta manipulação de várias moedas, e se trata de uma das últimas dentre a enxurrada de investigações sobre a manipulação de benchmarks financeiros iniciadas em anos recentes. As multas deverão superar os quase €2 bilhões impostos aos bancos em investigações anteriores sobre a manipulação de taxas de juro na União Europeia. A investigação do mercado de câmbio tem como base as investigações conduzidas pelas autoridades norte-americanas, britânicas e suíças, que multaram bancos globais em mais de US$10 bilhões por violações. Ao todo, desde 2008, as instituições financeiras já pagaram mais de US$320 bilhões em sanções.

E tem mais: membros de cartéis podem evitar multas ao delatar o esquema às autoridades. Ao aceitar o acordo financeiro proposto, as instituições podem ter as multas que lhe couberem reduzidas em 10% e impedir a exposição detalhada dos fatos. Em 2015, os reguladores norte-americanos cobraram multas totais de US$5,6 bilhões de cinco bancos – Barclays, Citi, JPMorgan, RBS, Bank of America e UBS – pela manipulação dos mercados de câmbio de dezembro de 2007 a janeiro de 2013. Em acréscimo às multas, os banqueiros também têm sido responsabilizados, com condenações por fraude, extradição e proibição de atuação na indústria bancária.

(FT.com, 19/11/2017)

Reparação

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou o princípio da distribuição de US$772,5 milhões do Fundo de Vítimas de Madoff (MVF), valor resultante do confisco levado a cabo pelo governo em conexão com o esquema fraudulento coordenado pela Bernard L. Madoff Investment Securities (BLMIS). Tais recursos serão transferidos a 24.631 vítimas em todo o mundo. Essa distribuição representa a primeira de uma série de pagamentos que, ao final, propõe-se a devolver mais de US$4 bilhões às vítimas como compensação pelas perdas que sofreram com o colapso da BLMIS. O MVF recebeu mais de 65 mil petições, submetidas por vítimas residentes em 136 países. Os pagamentos representam a maior distribuição de recursos apreendidos na história do programa de compensação de vítimas do Departamento de Justiça, que já conseguiu recuperar mais de US$9 bilhões para as vítimas de Madoff.

Ao longo de décadas, Bernard Madoff utilizou sua posição de presidente da BLMIS, o negócio de consultoria de investimentos que fundara em 1960, para roubar bilhões de seus clientes. Em 12 de março de 2009, Madoff declarou-se culpado de 11 crimes, admitindo que transformara sua atividade de gestão de riquezas no maior esquema de Ponzi da história, beneficiando a si próprio, sua família e membros seletos de seu círculo íntimo. Em 29 de junho do mesmo ano, foi condenado a 150 anos de prisão e a devolver o montante de US$170,8 bilhões, como parte da sentença.

(Mondo Visione, 10/11/2017)

Agora para multidões

A xerife do mercado norte-americano, a Comissão das Operações no Mercado Futuro de Commodities (CFTC), deu sinal verde ao Grupo CME e à Cboe Global Markets para a listagem de futuros de bitcoin e à Bolsa Cantor, operada pela Cantor Fitzgerald, para o lançamento de opções binárias. Essa medida será passo significativo para que os principais investidores possam comprar e vender a criptomoeda altamente volátil, cujo mercado, em termos globais, movimenta diariamente US$5 trilhões. As bolsas operarão os contratos sob o regime de autocertificação, em que são obrigadas a monitorar manipulações e distorções potenciais de mercado, como quedas súbitas e interrupções de negociação. Em função do anúncio dos planos das bolsas, o preço da bitcoin saltou nas últimas semanas. Em maio deste ano, era cotada em US$2 mil, alcançando US$11 mil pela primeira vez na última semana de novembro.

E tem mais I: de acordo com a CFTC, trata-se de produto distinto de todos os outros com os quais se defrontou no passado. Por isso, manteve longas discussões com as bolsas a respeito de vigilância e supervisão, mas salienta que os mercados permanecem em grande parte não regulamentados, tendo sobre eles autoridade legal limitada, bem como preocupações sobre volatilidade de preços e práticas de negociação adotadas pelos participantes.
E tem mais II: a Cboe pretende lançar seus futuros no dia 10 de dezembro de 2017 e o Grupo CME, no dia 18 subsequente, com margem inicial de 35% e preço baseado em quatro fontes diferentes de informação, enquanto a CBOE utilizará apenas uma e a Nasdaq, que também tenciona introduzir futuros de bitcoin no segundo trimestre de 2018, em 50.
(CNBC e FT.com, 1 e 4/12/2017)